A série é ambientada no futuro, por volta do ano 2500 – num cenário onde os recursos da terra já não comportam (há tempos) a raça humana. Com isso, passou a ser necessário estabelecer uma política expansionista no espaço.

O carro chefe da trama (ou nave chefe…) é a nave do capitão Reynolds – Serenity – cuja classe, “firefly”, dá nome à série.

Firefly

O que torna firefly diferente do que se vê pelo vasto mundo sci-fi convencional é a riqueza e a atenção dadas à história em si, em detrimento da preocupação com apelo e estratégias de marketing tão comuns na atual conjetura televisiva. Em um daqueles típicos bonus de DVD`s de séries, contendo entrevistas exclusivas e um pouco de backstage, o autor e diretor – Joss Whedon – afirma que seu grande interesse com a série era contar uma história. Um dos momentos mais marcantes da entrevista vem dele próprio, Whedon, dizendo que pedia aos cinegrafistas para propositalmente deixar a câmera balançar, perder foco e enquandramento em algumas cenas – visando colocar o expectador dentro do espetáculo.

De um modo geral, o mundo recebeu firefly de um modo muito extremista, podendo separar a aceitação da obra em dois grupos:

  • Aqueles que se apaixonaram pela trama em poucos minutos;
  • Aqueles que não compreenderam a intenção de Whedon e prefeririam algo mais hollywoodiano.

Infelizmente a maior parte da audiência da FOX na época pertencia ao segundo grupo, o que fez com que o show se transformasse em uma verdadeira catástrofe do ponto de vista financeiro.

Embora eu tenta tentado evitar, o que segue conterá alguns spoilers sobre o enredo… considere-se avisado!

Uma das grandes atrações de firefly é a riqueza dedicada à personalidade de cada personagem:

  • Capitão Malcolm Reynolds (Nathan Fillion) – Triste, protetor e de personalidade penetrante – Algo muito próximo de um House (porém menos mesquinho e sem a genialidade);
  • Zoe Alleyne Washburne (Gina Torres) – Remanescente da grande guerra contra o império, braço direito do capitão “Mal”;
  • Hoban Washburne (Alan Tudyk) – Piloto da nave Serenity, brincalhão e carefree mas incrivelmente habilidoso – também é o marido de Zoe;
  • Inara Serra (Morena Baccarin) – A “acompanhante” (uma profissão de muita honra na sociedade descrita na trama, algo como uma mistura de puta de luxo com um nobre cavaleiro). Ela é tratada como uma “embaixatriz” pela tripulação da Serenity, além de uma clara relação conturbada de ódio e queda pelo capitão “Mal”;
  • Lee “Kaylee” Frye (Jewel Staite) – O que se esperaria do mecânico de uma nave? Bruto, sujo, truculento – nada disso! Whedon escolheu a bela Jewel Staite para o trabalho, mas não sem antes exigir que ela ganhasse alguns quilinhos (nada exagerado) para que pareça mais real.
  • Jayne Cobb (Adam Baldwin) – Direto, violento, traiçoeiro, especialista em armas de fogo – é o bad boy da tripulação da Serenity, tendo se tornado um membro sendo subornado capitão “Mal”;
  • Simon Tam (Sean Maher) – O riquinho: médico, cabelinho vaca lambida cheio de gel – um cirurgião genial – contrastando com a simplicidade dos demais membros da tripulação;
  • River Tam (Summer Glau) – Poderia escrever um post inteiro à parte apenas dedicado a River Tam, mas vou ficar com a descrição dada pelo seu irmão (Simon): “Vocês me consideram inteligente? Minha irmã me faz parecer uma criatura insignificante”;
  • Shepherd Derrial Book (Ron Glass) – Um pastor, homem de deus – com um misterioso passado obscuro.

Conforme já dito anteriormente, a trama retrata uma realidade futura, em um cenário pós guerra separatista – onde o império saiu vitorioso e assumiu o controle da galáxia. O foco da ambientação fica por conta do contraste entre:

  • O império e as colônias centrais – estritamente organizados e desenvolvidos;
  • As colônias periféricas, onde a vida é arcaica, faltam recursos e até mesmo a tecnologia lembra um filme de velho oeste (porém com naves espaciais =P). Estas colônias são em grande parte controladas por criminosos ou “smugglers” que contratam transeuntes (como a tripulação da Serenity) para fazer seus trabalhos sujos como, por exemplo, trafegar mercadorias ilegais.

O humor encontra-se presente na sério no melhor estilo geek sarcástico e a série apresenta uma trilha sonora irretocável, composta por Greg Edmonson.

Em mais um trecho das entrevistas exclusivas presentes no DVD, há o depoimento de cada um dos atores sobre seus personagens, sobre como a história foi cativante para cada um deles – e como muitas vezes várias frases e ações fora de script aconteciam naturalmente durante as cenas, devido ao alto nível de imersão deles na trama. E grande parte dessas contribuições espontâneas acabaram sendo aceitas e estão presentes no corte final da série.

O grande ponto negativo é que infelizmente a história não conheceu se fim planejado, muitas perguntas ficaram em aberto devido ao corte de verbas da FOX (por causa da audiência catastrófica). A série só chegou ao número de episódios que chegou devido ao apelo dos fãs, que não só encheram a emissora de cartas, como também colocaram outdoors e anúncios em grandes revistas, pedindo que “não tirasse os céus de Serenity” (em alusão à música de abertura).

Seguem os episódios produzidos:

  1. Serenity (2 hours)
  2. The Train Job
  3. Bushwhacked
  4. Shindig
  5. Safe
  6. Our Mrs Reynolds
  7. Jaynestown
  8. Out Of Gas
  9. Ariel
  10. War Stories
  11. Trash
  12. The Message
  13. Heart Of Gold
  14. Objects In Space

Para sanar o não fim da história, foi feito um longa que procurou ao menos dar um desfecho satisfatório para a mesma – embora tenha sido claramente algo corrido e forçado.

Para finalizar, fica uma citação de Whedon, sobre sua obra:

“It’s a story about freedom — how much we need it, how much everybody deserves it and how much we can lose before we have to fight back”

Fica aí a recomendação, de um modo geral o show teve uma aceitação sem par entre o público mais geek. A série ganhou um prêmio em 2005, na revista New Scientist, como “Melhor sci-fi espacial de todos os tempos”. Um fato curioso é que a série ficou em primeiro neste prêmio, e o segundo lugar ficou com ninguém menos que o longa de abertura (Serenity).

Para quem se interessar, há uma wiki criada pelos fans da série.

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